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Discurso de modernização esbarra em práticas improvisadas na Saúde

Apesar do discurso oficial em defesa da modernização do sistema de saúde, a realidade encontrada dentro da própria Secretaria Municipal de Saúde revela um cenário contraditório e preocupante.

Em entrevistas recentes, a secretária municipal tem destacado a informatização como solução para problemas históricos, como agendamentos, encaminhamentos ambulatoriais e cirurgias. No papel, a proposta soa atual, necessária e alinhada às exigências de uma gestão eficiente no século XXI.

No entanto, ao entrar no prédio da Secretaria, o que se vê é bem diferente do que é anunciado publicamente. Em locais visíveis a servidores e usuários, chamam atenção cartazes escritos à mão, improvisados, com anotações de “estratégias” e fluxos internos. A cena levanta um questionamento inevitável: como confiar em um projeto de modernização digital quando a organização interna ainda funciona de forma rudimentar?

Mais do que um detalhe visual, esses cartazes simbolizam a falta de planejamento técnico, de protocolos formalizados e de processos bem definidos — pilares essenciais para qualquer transformação digital séria. Informatizar vai além de substituir papel por computador: exige gestão, método, capacitação, integração de sistemas e liderança técnica.

Na prática, o descompasso entre discurso e execução é evidente. Enquanto se fala em inovação, usuários seguem enfrentando dificuldades para marcar consultas, conseguir encaminhamentos e acessar cirurgias, convivendo com filas, atrasos e informações pouco claras.

Nos bastidores, servidores da própria rede relatam insegurança diante de fluxos de trabalho confusos e mudanças constantes de orientação, muitas vezes repassadas de forma informal, sem normativas oficiais ou treinamentos adequados. O cenário reforça a percepção de improviso e fragilidade administrativa.

A saúde pública exige seriedade, planejamento e profissionalismo. Não se trata apenas de tecnologia, mas de respeito ao cidadão que depende do SUS e aos profissionais que sustentam o sistema diariamente. Cartazes improvisados, em pleno ambiente administrativo, estão longe de representar uma gestão moderna e organizada.

Diante disso, a pergunta que ecoa entre usuários e trabalhadores da saúde permanece: a modernização anunciada é um projeto concreto ou apenas mais um discurso?

Enquanto a prática não acompanhar a retórica, a informatização seguirá sendo apenas uma promessa.